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Exportações de carne bovina começam julho em alta mesmo após fim da cota chinesa

Foto: Agência Brasil/arquivo

Mesmo após o esgotamento da cota de exportação destinada à China, as exportações brasileiras de carne bovina iniciaram julho em ritmo forte, indicando que a demanda internacional continua aquecida. Ao mesmo tempo, o mercado interno do boi gordo segue marcado por negociações lentas, com compradores e vendedores ainda cautelosos neste início do segundo semestre.

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Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 45,169 mil toneladas de carne bovina in natura nos três primeiros dias úteis de julho, o equivalente a uma média diária de 15,056 mil toneladas.

O preço médio pago pela carne brasileira também permanece em patamar elevado, alcançando US$ 6.383,70 por tonelada, acima dos US$ 5.549,40 registrados em julho do ano passado. O valor é o segundo maior já registrado para um mês de julho, ficando atrás apenas de julho de 2022, quando atingiu US$ 6.548,90 por tonelada.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), caso esse ritmo seja mantido ao longo do mês, julho poderá registrar um volume expressivo de exportações, reforçando que a procura internacional pela carne bovina brasileira segue elevada, mesmo após o encerramento da cota chinesa.

Mercado interno segue cauteloso

No mercado doméstico, o cenário continua de baixa liquidez. Segundo o Cepea, muitos compradores e vendedores ainda estão formando preços neste início de semestre, e a maior parte dos negócios ocorreu nos mesmos valores da sexta-feira (4), embora algumas negociações tenham sido fechadas abaixo dessas referências.

Em São Paulo, principal praça pecuária do país, as negociações permaneceram travadas. Frigoríficos reduziram as ofertas de compra, mas muitos pecuaristas preferiram adiar as vendas, recusando negociar pelos preços ofertados.

No Pará, a liquidez também foi baixa, com negócios restritos a pequenos lotes. A arroba do boi gordo foi negociada entre R$ 315 e R$ 320, enquanto as escalas de abate permaneceram entre três e sete dias.

Já no Rio Grande do Sul, a oferta limitada de animais prontos para o abate, aliada ao inverno e à degradação das pastagens, manteve as cotações firmes. Os frigoríficos encontraram dificuldade para preencher as escalas, que variaram de dois a oito dias. Os negócios ocorreram entre R$ 24 e R$ 27 por quilo de carcaça.

Consumo doméstico ainda limita reação dos preços

No atacado, os preços da carne bovina permaneceram estáveis, mas o escoamento da proteína segue lento.

Segundo agentes consultados pelo Cepea, o consumo doméstico ainda não apresenta força suficiente para impulsionar as cotações. A carcaça casada bovina foi comercializada, em média, a R$ 23,84 por quilo à vista.

Na avaliação do Cepea, o mercado inicia o segundo semestre dividido entre uma demanda externa aquecida, que continua sustentando as exportações brasileiras, e um mercado interno ainda marcado por cautela, baixa liquidez e resistência entre frigoríficos e pecuaristas na definição dos preços.

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