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Limitação de outros exportadores tende a fortalecer competitividade da carne brasileira

Foto: Pixabay

A cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira direcionada à China em 2026 deve ser preenchida em julho, projeta levantamento da consultoria Safras & Mercado.

A progressão das exportações para Pequim vem sendo observada desde o começo do ano, com o pico ocorrendo em maio, mês em que o Brasil embarcou 157,6 mil toneladas da proteína ao gigante asiático, aumento de 14,25% na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo a alfândega chinesa, entre janeiro e maio, foram importadas mais de 1,3 milhão de toneladas, avanço de 19% em relação aos cinco primeiros meses de 2025. O Brasil segue como o principal fornecedor, com 55% de participação deste montante.

A analista Beatriz Bianchi, da consultoria Datagro, pontua que a China mantém grande dependência da carne nacional, mas a cota imposta traz ao mercado intensa dose de incerteza e volatilidade.

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“Ainda assim, existem fatores que limitam o impacto das medidas de salvaguarda [chinesa]. O primeiro deles é o redirecionamento da carne bovina para mercados alternativos, que é a estratégia taticamente viável e um caminho mais imediato adotado pelas indústrias”, diz.

Contudo, a especialista reforça que outros destinos não reproduzem proporcionalmente o mesmo valor agregado ou o retorno econômico trazido ao país com as exportações para a China. “O mercado chinês absorve grandes volumes e tem um bom aproveitamento industrial da carcaça bovina, levando boa parte do dianteiro [do boi]”, contextualiza.

Por fim, Beatriz ressalta que o desafio não é exatamente o de encontrar novos mercados para a proteína nacional, mas sim o de preservar as margens de faturamento em um ambiente potencialmente menos favorável.

“Um segundo ponto da discussão é a capacidade de o Brasil preservar os seus diferenciais econômicos após a cota e a sobretaxa [de 55% após esgotado o limite de 1,1 milhão de toneladas] em relação aos seus concorrentes, à medida em que Brasil e Austrália devem sobreofertar o mercado internacional após o esgotamento [da cota], o que tende a pressionar os preços internacionais.”

Em paralelo a isso, a analista da Datagro pontua que outros concorrentes já apresentam suas limitações de oferta, fator que favorece a competitividade brasileira. “Mas é claro que isso tende a acontecer de forma lenta e gradual. Ao mesmo tempo, o mercado interno tem sido um pilar fundamental de sustentação à medida em que tem escoado bem e tido um bom aproveitamento industrial, apelo cultural forte pela carne bovina e uma capacidade de repasse extremamente importante para essa sustentação”, afirma.

O sistema de cota da China foi implementado em janeiro de 2026 com o objetivo de proteger os produtores domésticos, afetados pela queda dos preços internos devido ao excesso de oferta e desaceleração econômica. A salvaguarda está prevista para durar até o início de 2029.

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