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China e México mudam o rumo das exportações brasileiras de carne bovina em 2026

Foto: Divulgação Iagro

Após recordes sucessivos em 2025, as exportações de carne bovina do Brasil devem enfrentar um cenário desafiador em 2026. Tanto a China como o México, que no ano passado foram grandes compradores da proteína brasileira, impuseram restrições contra o produto logo nos primeiros dias do ano.

Em vigor desde 1º de janeiro, o gigante asiático aplicou uma medida de salvaguarda contra as importações globais de carne bovina. Se o Brasil exceder a cota de 1,1 milhão de toneladas, as exportações estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%. O México, por sua vez, suspendeu a isenção total de taxa de importação para carnes bovina e suína, em uma tentativa de frear a inflação no país.

Na avaliação de especialistas do setor, a combinação das medidas tarifárias e mudanças na oferta global tende a reordenar os destinos da proteína.

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Diversificação de destinos é a palavra-chave

Dos 3,51 milhões de toneladas de carne bovina embarcados entre janeiro e novembro, quase metade foram para China, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Para Fernando Iglesias, coordenador de mercados da Safras & Mercado, a dependência desse único mercado é um dos maiores desafios atuais.

“Qualquer decisão que a China tome acaba sendo bastante impactante aqui para o Brasil”, afirma. Segundo Iglesias, a busca por novos mercados já era necessária e agora se torna ainda mais estratégica.

Nesse sentido, a diversificação passa pela abertura e consolidação de destinos como Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Indonésia, Vietnã, além de ampliar a presença na União Europeia e nos Estados Unidos.

Em 2025, a articulação para ampliar acessos e reduzir barreiras, inclusive com negociações bilaterais, ajudou a manter os embarques em níveis historicamente elevados, com recordes de volume em outubro e forte presença em mercados alternativos.

Cota chinesa e sobretaxa mexicana

Apesar da preocupação inicial, o analista pondera que os efeitos da salvaguarda chinesa devem ser diluídos ao longo do ano. Nesse contexto, a cota estabelecida tende a ser totalmente preenchida apenas no terceiro trimestre.

“Isso dá algum tempo para o Brasil buscar alternativas dentro do mercado global e tentar manter um fluxo de embarques compatível”, diz Iglesias.

No caso do México, a alíquota adicional de até 25% sobre a carne bovina impacta diretamente o apetite para compras brasileiras. “É possível que a queda das importações, prevista em 6%, seja um pouco maior”, explica Hyberville Neto, diretor da HN Agro. Entre janeiro e novembro do ano passado, as exportações do Brasil para aquele mercado aumentaram mais de 200%.

O especialista também chama a atenção para mudanças estruturais no mercado mexicano, com projeções de aumento do abate e redução das exportações de gado em pé.

“O México exportou mais de 1,2 milhão de cabeças em 2024. Para 2026, a projeção é de exportação zerada”, destaca. Esse movimento, somado ao abate maior, amplia a oferta local e reduz a necessidade de importações, inclusive do Brasil.

Entretanto, Neto afirma que o efeito da medida mexicana tende a ser compensado pelos Estados Unidos, que retiraram as sobretaxas contra o mercado brasileiro após um longo período de incertezas e negociações.

Impactos no mercado brasileiro

No mercado interno, Iglesias avalia que os preços da carne bovina devem seguir elevados para o consumidor em 2026, diante do baixo poder de compra. Ainda assim, ele não descarta momentos pontuais de alívio.

“Pode haver quedas em relação ao ano passado que estimulem o consumo, mas não vejo um movimento agressivo de baixa”, afirma. Para ele, fatores como Copa do Mundo e eleições podem ajudar a sustentar a demanda, sem provocar queda contundente nos preços.

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