A mineralização do rebanho é um pilar fundamental para a pecuária brasileira, especialmente no período das águas. Embora o pasto esteja abundante, as gramíneas tropicais – como mombaça, braquiária e tifton – são naturalmente deficientes em macro e microminerais.
O principal gargalo nutricional é o fósforo, mineral vital para o metabolismo energético, o ganho de peso, a reprodução e a saúde óssea dos bovinos.
Segundo o zootecnista e consultor Maurício Scoton, o ponto-chave para aumentar o potencial do rebanho não está na marca do suplemento, mas sim em garantir o consumo efetivo da quantidade necessária de minerais por cabeça/dia. Ele estima que 98% dos pecuaristas têm um consumo de sal abaixo do recomendado, o que sabota a expressão do potencial genético do gado.
Confira:
Exigência de fósforo por categoria animal
O sucesso da mineralização na época das águas está em atender à demanda específica de cada categoria, já que a exigência de fósforo varia:
Vacada em reprodução: é a categoria mais exigente, precisando de cerca de 90 gramas de fósforo no mineral.
Recria: necessita de cerca de 60 gramas de fósforo.
Engorda: demanda cerca de 40 gramas de fósforo.
A recomendação geral é que o gado consuma entre 4 a 6 gramas de fósforo por dia.
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O ponto-chave: consumo efetivo e controle operacional
O consultor Maurício Scoton questiona a eficácia da compra de um suplemento premium se o manejo de fornecimento é falho e os animais consomem apenas 10 gramas por dia, em vez das 60 gramas recomendadas. Para aumentar o potencial produtivo do rebanho, a disciplina no controle operacional é o primeiro passo:
Meça o consumo real: o produtor deve começar medindo o consumo real de sal na fazenda, verificando o total de sal comprado no ano versus o número de animais que permaneceram na propriedade. Essa análise inicial permite obter uma média de consumo por animal/dia.
Ajuste o manejo: o ideal é adotar práticas de controle mensal, lote por lote, para ir ajustando a oferta e garantindo que cada categoria de animal atinja o consumo efetivo.
Ao garantir que o animal consuma a quantidade correta do mineral, o produtor rural eleva o desempenho e permite que o potencial genético do rebanho seja totalmente expresso, corrigindo as deficiências nutricionais que o pasto abundante não consegue suprir.
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